O fim é sempre uma forma de recomeço. Por mais que ela lamente, torça o nariz, sinta aquela dor fina, o fim é sempre necessário. O novo não seria novo se o velho não tivesse passado da conta. Tudo tem um pouquinho de fim e começo. Todo fim tem um pouco de lamento, saudade e má vontade. Tem também um pouco de suor, falta de ar e soluço. Mas aí chega a hora de se despedir daquilo que não tem mais lugar, que pede só um pedaço da memória e um cantinho pra encostar. Chega a hora de se despedir das lembranças. E é doloroso o risco do esquecimento. Talvez por isso ela temesse o relógio e o ponteiro que corre depressa e varre tudo aquilo que alguns momentos deixaram. Cheiro, gosto, tato. Aquilo que antes era quase que palpável, vai ficando em preto e branco, distante das mãos, com cara de velho. Não tem mais som, cheiro, gosto. Como se o tempo evidenciasse a ausência, a perda, a velocidade, o caos. E a vontade do novo chega. Como não se pode ter o que viveu, vem a vontade de novos momentos. Mais coloridos, nítidos, sensoriais. Momentos que a gente conta, escreve nas paredes do quarto, grita. Pra que de alguma forma, quem sabe, eles fiquem eternizados.
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