Ela não compreendia como as coisas inevitavelmente tinham seu fim. Era assim com tudo e em toda parte. E principalmente com as coisas que eram boas. Essas passavam tão ligeiras e envergonhadas que escapavam aos olhos. Por isso tinham que ser revividas pra que tomassem forma. Até mesmo o sofrimento, mesmo aquele ardido e fino, até ele tinha fim. Era estranho sentir a calmaria que tomava sua alma depois de uma longa turbulência. Era estranho e bom. Não que ela gostasse do que se passava dentro dela. Era como se o mundo se ausentasse de suas entranhas por tempo indeterminado. E como sobreviver a si mesma? Ela não sabia. Tudo aquilo que fazia parte dela havia simplesmente desaparecido. Todas as dúvidas, inseguranças, contradições. Até mesmo o amor e o ódio, que viviam em pé de guerra. Era como se nunca tivessem existido. Ela mal conseguia lembrar-se. Como um mal quase crônico podia ter desaparecido? Era como se a cura existisse dentro dela, latente, dissimulada. Não era normal sentir-se tão leve. O que fazer agora que não tinha mais com o que se preocupar? Era como se tirasse férias de sua própria vida. Ela não sabia o que fazer. Mas sabia que como tudo, aquilo também passaria. O que restava era apenas viver. E quem sabe, depois nem se lembrar do que passou.

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