Estranha não. Vivente!

Ela era realmente estranha. Estranha. Não sei se essa é a palavra adequada à ela. Talvez, vivente. Por que isso ela sabia fazer. Vivia tanto que às vezes não se contentava em viver sua própria vida: queria também a dos outros. Mas não no sentido que esta a pensar, de mexerico. E sim de fantasia. Se imaginava estrela de cinema, atriz de novelas, cantora de teatro. Sempre algo que lhe trouxesse um pouquinho mais de emoção, um pouquinho mais de vontade de viver. Chorava às escondidas sem nem saber por que. Gostava de reviver cada instante de tristeza ou alegria; dizia que em tudo há algo de que se pode tirar um pouquinho mais. Para ela os sentimentos tinham que ser sentidos verdadeiramente, por isso tinham esse nome. Oscilava entre momentos de fragilidade e de extrema força. Queria estar vulnerável para que cada emoção pudesse penetrar em suas veias, para que cada parte do seu corpo fosse testemunha de que ela vivia. Mas também queria ser forte. Detestava a idéia de ser vítima. Quando estava triste, tirava de cada gota de lágrima sua mais profunda razão e logo depois se levantava forte e eu diria até sorridente, como se risse para a vida ou da vida. E quando se sentia inteira, olhava para todos como se fossem testemunhas do seu triunfo: ela estava pronta para outra.

Um comentário:

  1. deixa os outros terem acesso a isso. é bom. adorei.. me identifiquei com a parte de ser vulneráve. o lance é fingir que é forte. pq aí pros outros vc nao é vítimia, mas pra vc vc absorve as coisas. hehhehe
    q q eu tô dizendo?

    gostei MUITO.

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